Entrementes.
Entre entes.
Entre mentes.
Entre chuvas.
Entre tempestades.
Entre a esperança da chegada do grande dia e a vontade de esquecer o mundo.
Entre a espera e o futuro.
Atrás do futuro, no presente. Ente.
Rente.
Reto.
Categórico.
Desesperançoso.
Calcado de uma ausência de sorriso sem fim.
Talvez não tão desesperançoso como quis parecer num primeiro momento.
E também, aquele leve gesto envolvendo seus lábios, pode certamente ser um sorriso.
Ou espécie de.
Espécie de esperança é essa: realista e real.
Coração a mais de mil, como na canção, e o espírito firme, quase inerte, absorto em seu próprio ser. Do lado de fora, confusões. Confusões solares e de céus escuros.
Confusas tempestades.
E entre as tempestades, abrigado, fitando a chuva grossa que o céu providenciou com que batesse à sua porta, ele parece diferente.
E não é pelo volume alto da televisão.
E não é pelos barulhos que ele tem certeza que ouve, embaixo do chão, embaixo da casa, um som que parece se mover. Um ruído que parece se mexer. Se meter.
E não é pelo frio nas mãos. Ou pela chuva gélida a tocar o corpo.
É só pelo tentar.
É só porque, ele quer poder não parar de esperar os dias melhores chegarem. Venham eles a pé, ou a cavalo. Venham com o sol ou à margem da sombra.
Mas, por favor... Venham antes de eu cerrar os olhos.
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