segunda-feira, 1 de junho de 2009

Entre(mente)s

Entrementes.

Entre entes.

Entre mentes.

Entre chuvas.

Entre tempestades.

Entre a esperança da chegada do grande dia e a vontade de esquecer o mundo.

Entre a espera e o futuro.

Atrás do futuro, no presente. Ente.

Rente.

Reto.

Categórico.

Desesperançoso.

Calcado de uma ausência de sorriso sem fim.

Talvez não tão desesperançoso como quis parecer num primeiro momento.

E também, aquele leve gesto envolvendo seus lábios, pode certamente ser um sorriso.

Ou espécie de.

Espécie de esperança é essa: realista e real.

Coração a mais de mil, como na canção, e o espírito firme, quase inerte, absorto em seu próprio ser. Do lado de fora, confusões. Confusões solares e de céus escuros.

Confusas tempestades.

E entre as tempestades, abrigado, fitando a chuva grossa que o céu providenciou com que batesse à sua porta, ele parece diferente.

E não é pelo volume alto da televisão.

E não é pelos barulhos que ele tem certeza que ouve, embaixo do chão, embaixo da casa, um som que parece se mover. Um ruído que parece se mexer. Se meter.

E não é pelo frio nas mãos. Ou pela chuva gélida a tocar o corpo.

É só pelo tentar.

É só porque, ele quer poder não parar de esperar os dias melhores chegarem. Venham eles a pé, ou a cavalo. Venham com o sol ou à margem da sombra.

Mas, por favor... Venham antes de eu cerrar os olhos.

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