segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dinh(eiro) - D'nro

Demorei e relutei a reconhecer.
Mas, realmente, parece que o dinheiro me causa algum incômodo qualquer.
Acho que, a atual necessidade de ter que ganhar dinheiro, me incomoda.
Dinheiro nada mais é do que um papel... Mas, quem queima dinheiro é observado e indicado, popular e culturalmente, como louco.
Quem realmente precisa do dinheiro são os Bancos... E talvez o Governo Federal, claro.
Afinal, me parec que o dia em que todo o dinheiro do mundo estiver com os bancos, ele não terá mais valor algum pra o Homem.
E não podemos esquecer que, graças a doce existência do dinheiro, podemos sim ser contemplados com crises econômicas, que geram, ou degeneram, em crises pessoais, em crises do emocional, em crise do existencial.
Claro, depende da importância que se dá à ele.
Vilão. Ou Prêmio.
Cada olhar, o seu próprio e infinito particular.

Sobre o tema, segue exemplo que recebi, por mim adaptado:

Numa pequena vila e estância na costa sul da França, chove, e nada de especial acontece.A crise é sentida.Toda a gente deve a toda a gente, eivada de dívidas. Subitamente, um rico turista russo, chega ao foyer do pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de € 100 sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar. O dono do hotel pega na nota de €100 e corre ao fornecedor de carne a quem deve €100, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar €100 que devia há algum tempo, este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a entregar os €100 a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os €100 e corre ao hotel aquem devia €100 pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes.Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos €100. Recebe o dinheiro e sai.Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescido.Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e estes elementos da pequena vila costeira encaram agora otimisticamente o futuro. Dá pra pensar....

domingo, 24 de maio de 2009

Jantar com a solidão

Pela maneira como ela se senta e se porta à mesa, era impossível acreditar que estivesse ali para me fazer o mal.

Mas, por mais inacreditável ou creditável que parecesse, ali estava eu, jantando. Em verdade, ali estávamos nós, jantando.

Ainda que ela estivesse a ocupar um lugar à mesa, era apenas eu ali. E eu ainda não podia saber exatamente o que ela estava fazendo ali.

Não tínhamos diálogo.

Não tínhamos pontos em comum.

Não tínhamos risadas para iluminar o ar sombrio e pesado.

Eu não tinha escolha.

Ela estava ali.

E ela me abraçava.

E a cada abraço dela, um pouco mais de dor se acentuava.

E cada vez que ela me beijava ou me punha para dormir, mais o teto parecia me tocar.

E as paredes se reduziam ao redor do meu corpo. Mas, por mais sufocante que fosse, por mais enclausurante que eu estivesse me sentindo, ali estava ela.. sorrindo para mim... ceifando meu leito...

E desta vez ela estava muito bem vestida.

E desta vez ela usava roxo. E os seus olhos estavam ainda mais indecifráveis.

Embora os olhos da solidão sejam profundos e extensos, de característica pura do abandono e do abandonado, alguma beleza neles existe e perdura.

E essa beleza, imbuída de morbidez, traição, loucura, remédios e insensatez, estava me fitando. E claramente ela sabia onde me tocar.

E agora, não eram apenas as paredes que se exprimiam e se apertavam. Tal ocorria também com o meu coração.

E o meu coração começava a dar claros sinais de que havia desaprendido o significado da convivência. E a palavra amor já não tinha sentido ou sentimento.

E então, pude concluir que ela havia feito o seu trabalho.

E constatei que ela não estava ali, de frente pra mim, apenas pelo jantar.

Constatei, com um leve sorriso no lábios, que a solidão havia encontrado o seu lar, bem aqui, junto a mim.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Será?


Seria essa a pergunta correta?
Com quem falar?
Com quem confidenciar?
A quem recorrer?
O que fazer?
A vida se demonstra indiferente...
Os fatos querem dizer algo.
Por quê, Deus?
É a Deus que se deve recorrer?

Literalmente, quem sou eu? De onde vim? Pra onde ir?
O que fazer?
Quero correr. Quero sorrir.
Quero amar. Quero amor.
O pouco não me basta.
Não sei o que basta.
Como se, de repente, tudo estivesse em estilhaços.
Como se, de repente, todo pensamento positivo tivesse se esvaído.
É como soerguer-se na madrugada, indefinidas vezes, sofrendo com as lembranças da realidade, do dia-a-dia.

Que tipo de vida é a vida ideal?
Que tipo de perspectiva é bom sentir e cultivar?
Onde está o manual do sobrevivente humano?
Como saber o que fazer?
O aprendizado tem q ser assim? Doloroso? Pelo caminho das pedras?
Em vez de complementar a flor, o espinho deve destinar-se tão somente a causar dor e ferimentos?
E qual o remédio para a angústia?
E qual o fármaco que inibe sentir o medo de fazer? O medo de viver?

Será?
É essa a pergunta correta?
E ignorar as horas... Seria essa a atitude devida?
Por que eu desejo e quero me encontrar, se eu não sei onde estou?
Por que aquilo que me faz sentido, muda a todo instante, se tornando cada vez mais inexplicável, cada vez mais indefinido?

Em quem acreditar?
Sou meu próprio líder?
Onde vou chegar?
Nunca vou parar de pensar?
E descansar? Algum dia, Senhor, poderei descansar?

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Relato Sobre o Poeta

Aquele poeta, ao ler um livro de Cícero, sentiu em si, dentro de seu âmago, no mais profundo sentimento de seu coração, que necessitava se tornar um Homem.
Em sua jornada, claro lhe ficou que, para se tornar Homem, não bastava o porte de idade no documento de identificação.
Aquele poeta buscava ser Homem a fim de deixar um legado.
O poeta entendeu que legado não implica em riqueza material.
Aquele poeta pôde decifrar as palavras, suas entonações e formas como os outros homens a utilizavam. E notou que os homens comuns utilizam a palavra qualidade para definir coisas boas e más.
E percebeu que, por detrás das palavras, juntamente com a dubiedade, residia o sarcasmo, o deboche, o descaso.
Mas o poeta fixou-se em ser sábio, bom e justo.
E passou a questionar o valor e o sabor das coisas.
De todas as coisas. Desde o sol que nasce cedo, irrompendo a escuridão e clareando o infinito, da grama molhada, quase gelada, fria, tocando os pés antes de o sol nascer, até o sentar no chão de casa, a fim de se sentir no lar.
E o poeta saboreou todos esses momentos.
E pôde (pode) fechar os olhos e sentir o calor do sol enrubescer o seu rosto.
E abriu a camisa, para que a força do astro rei penetrasse o peito, ultrapassasse o espírito, curasse o sangue, torneasse a cor.
E essas coisas, que deveriam ser o grande alimento da alma, que são prazeres que tornam o Homem justo e bom, tal qual deseja incessantemente o poeta, ficaram em segundo plano na vida dos homens.
Mas não na vida do poeta.
Mas o poeta viu-se sozinho, admirando o sol, alimentando seu corpo com vida, enquanto um turbilhão atravessava sua casa, seu lar.
E viu o chão se abrir diante de seus pés.
E não pensou como talvez pensasse o Homem.
O poeta se deparou com a realidade de que preferia cultuar o sol, a ter de cultuar responsabilidades civis.
E as responsabilidades civis bateram à porta do poeta.
O poeta, agora, portava semblante amargurado. Alegava ter recebido lições dessa coisa chamada Vida. Mostrava as marcas nos braços: de fato, se não estivesse mentindo, o poeta passara momentos difíceis sob o manto da Vida.
Mesmo sem ser perguntado, o poeta insiste em narrar sobre como foi sagaz e feroz em sua jornada em busca das boas qualidades do Homem. E fala sempre que seu desejo, enquanto jovem, era ser como Cícero definia o Homem: ele deve observar todos os fatos da vida, todos os acontecimentos ao seu redor, todas as possibilidades de intervir na realidade e a transformar, observar toda e qualquer chance, oportunidade, seja lá o que for, e, quando estiver frente a frente com esse fato, dessa escolha, olhar para si e questionar: isso é justo e bom?
Porque defende o poeta que, de nada adianta um valor ser justo mas não bom. Pois se assim for, insignificante o é. E defende, também, que nenhuma valia existe no fato de ser bom, mas não justo. Porque isso ampararia os opressores.
O poeta se pergunta se já se tornara um Homem, justo e bom.
E o poeta baixa seus olhos, reconhecendo, em silêncio, que possui o conhecimento, mas ainda não o sabe aplicar.
O poeta não sabe a idade que tem.
O poeta vê-se jovem, mas raciocina como um experiente adulto.
O poeta sente-se velho, mas tem o vigor de um adolescente.
O poeta se contradiz: ele acha que acredita no amor. Mas ele não tem certeza se existe o amor. O poeta, também, não sabe o que é o amor.
E o poeta não quer ser matemático.
O poeta não aceita que o amor seja uma equação.
O poeta quer poder olhar para aquela mulher que representa o amor!
O poeta entende que o "sentimento amor" é diametralmente oposto ao "racional amor".
O poeta não consegue construir seu próprio entendimento sobre o que é o amor. Porque todos falam o que pensam do amor. Porque todos não sabem o que é o amor. Porque o amor parece requerer das pessoas, no mínimo, elas mesmas.
E o amor não possui manual. E não possui medidor.
O poeta desprezaria o medidor de amor. Mas fatalmente faria uso do mesmo, ainda que somente pelo senso investigativo e curioso.
E eis que o poeta se deu conta de que não bastava apenas palavras para lhe garantir a vida.
E eis que esse poeta se apaixonou.
Os poetas também se apaixonam.
E enquanto tentava desvendar o amor, enredou-se nas garras da paixão.
E a paixão sangra o coração.
A paixão é avassaladora. E traiçoeira.
E eis que a paixão se foi.
E o poeta ficou com algo dentro de si que denominou de sentimento.
Esse poeta, amante do raciocínio, disse a si mesmo que poderia viver sem a sua paixão.
O poeta também fica cego.
O poeta lançou mão de seus sentimentos. E ergueu uma barreira ao redor de seu coração.
Esqueceu, porém, que não é Senhor de si mesmo.
E o poeta sentiu a falta da sua paixão. O poeta sentiu a falta do amor. O poeta sentiu falta de ser amado. O poeta sentiu falta de poder cuidar. O poeta sentiu falta de ser cuidado. E sentiu, sobretudo, falta de poder partilhar.
O poeta abraçou-se aos seus livros e a sua cultura... E estes não alimentaram sua alma.
O poeta dedicou-se a fazer coisas que nunca tinha feito... E se sentiu vazio.
E então, o poeta pôde entender qual era o verdadeiro problema que o atormentava: ele tinha se apaixonado por Vênus.
E Vênus se interessou pelo poeta!
E os dois arderam juntos.
E se olhavam no escuro e podiam se enxergar um ao outro.
E o poeta dedicou suas melhores palavras aos olhos dela. E ela o inundou de charme e prazer.
E o poeta viu que Vênus o fazia sorrir.
E o poeta abriu a porta de casa, de madrugada, e foi caminhar na grama úmida. E aguardou o sol chegar. E quando o sol chegou, ele informou à Vênus o que acontecia. E Vênus, ainda que deitada e dormindo em sua cama, em sua casa, se sentiu feliz por saber, por partilhar.
E Vênus admirou o poeta pela sua sede e naturalidade em partilhar seus momentos.
E Vênus esqueceu quem era, e dedicou-se ao poeta.
E acreditou que o poeta fosse um Homem.
E o poeta acreditou estar tornando-se um Homem. E se orgulhou, vendo Vênus deitada ao seu lado, em seus braços, satisfeita.
Mas um dia, o vento soprou diferente. E neste mesmo dia, Vênus levantou-se sentindo diferente.
E o poeta sentiu esse algo diferente na vibração do ar, nas palavras de Vênus.
E o poeta não sabia se deveria fazer algo a respeito ou se simplesmente deveria esperar.
E preveu seu futuro. E sentiu arrepios e o prenúncio da tristeza.
E assim como os dias passam, assim como as horas giram, assim como as estrelas morrem, ela se foi.
Assim.
Como se fosse natural.
Como se fosse normal.
E o poeta planejava um banquete, com música e danças, com vinho para sua Deusa, e encontrou o quarto abandonado. E, naquele instante, de joelhos, perdeu os sentidos.
O poeta enlouqueceu.
O poeta se descontrolou.
O poeta maldisse a Deus.
E rasgou suas vestes e odiou os deuses.
E pensou em se arrepender de todas suas palavras, todos seus atos, todas suas intenções.
E quando estava diante da iminência da morte, recuou.
O poeta tentou se convencer da impossibilidade de amar uma Deusa.
Mas o poeta não achou racional abdicar do que sentia.
E antes de abrir os olhos, o poeta mergulhou em dor.
E sonhava com sua Deusa sendo tocada por homens baixos.
E se desesperava por não saber o que sua Deusa estava fazendo.
E se desesperava por não saber com que companhias sua Deusa fazia uso.
Com as lágrimas, o poeta se encontrou. A angústia, o esmagamento do peito, findaram por se tornar sua rotina.
E o poeta questionou tudo de novo. E não obteve nenhuma resposta.
E viu que estava perdido como não imaginava estar.
E um dia, perambulando pelas ruas frias, viu Vênus bebendo vinho.
E seu coração disparou. E sentiu sangue quente correndo em suas veias. E não pôde aceitar que tais acontecimentos nada tivessem a ver com Vênus. E a chamou.
O poeta sempre se encantou com a beleza de Vênus. Da forma como brilham os seus olhos na penumbra, da forma como seus cabelos parecem ouro, da forma como seu corpo é imensamente perfeito, da forma como sua pele exala um cheiro doce, da forma como o seu gosto é inenarrável. Mas, naquela noite fria, Vênus estava demonstrando estar próxima à perfeição, e o poeta cambaleou e se inebriou de tanta beleza.
E o poeta questionou o que fez de errado, para Vênus ter ficado ainda mais tão linda longe dele.
E o poeta sentiu ter perdido.
E voltou a sentir dor e a se sentir sozinho. E sem ter com quem partilhar.
E por mais que digam que deveria esquecer Vênus, o poeta não está ignorando o que sente.
E o poeta sabe que, o que está sentindo, não é simplório. Não é simplesmente humano.
O poeta sabe o que quer em relação ao amor. O poeta quer ficar junto à Vênus. O poeta quer repousar nos seus seios suaves.
O poeta quer admirar Vênus deitada e adormecida.
O poeta quer poder acordar e ver Vênus nua com feições de sono.
O poeta quer voltar a se sentir vivo.
A questão é que dizem que deuses e homens não podem viver juntos, não podem se amar.
O poeta não é só mais um homem qualquer.
O poeta está buscando se tornar um Homem.
E o poeta ignora o que os outros dizem.
Porque o amor não vem em receituários.
E ninguém pode dizer quem pode e quem não pode amar.
Ninguém pode sentenciar que uns serão felizes e outros amargarão o fel da vida.
O poeta quer se dedicar à sua Deusa.
Ele está ciente da possibilidade de sentir dor. De sentir tristeza. De querer morrer de novo.
Mas ao menos o poeta acredita estar fazendo o que é verdadeiro.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Trilha Sonora

Música gira o mundo.
Frase minha que contraria a realidade, pois o dinheiro move o mundo.
Frase não minha.
Enfim.
Se a vida tivesse trilha sonora... Seria ótimo para prevenir momentos ruins..
Enquanto o real nos esmaga, uma trilha sonora sempre é bem vinda.
Segue pequena lista de sugestões, fácilmente encontradas em skreemr.com ou com Ares..
Um som pra ouvir, pensar, ir longe e voltar...
E se impressionar com alguma qualidade específica de alguma música em especial.

Robbie Williams - Come Undone
Zé Ramalho -Garoto de Aluguel
Adão Negro - Vá morrer pra lá
Beirut - A sunday smile
Bob Marley - Chances are
Bob Marley - Kinky Reggae
Chico Buarque - Futuros Amantes
Eddie Vedder - Guaranteed
Eddie Vedder - Rise
Eddie Vedder - Hard Sun
Led Zeppelin - Kashmir
Marcelo Camelo - Doce solidão
Marcelo Camelo - Téo e a gaivota
Marcelo Camelo e Malu Magalhães - Janta
Neil Young - Heart of Gold
Oasis - Songbird
Oasis- shout it out loud
Oasis - stop crying your heart out
Oasis -
Pink Floyd - Breathe
Pink Floyd - Shine on your crazy diamonds
Pink Floyd - Welcome to the machine

domingo, 17 de maio de 2009

De que adianta

De que adianta viver na cidade, cercado, dos muros e grades?
Faz o compositor com que possamos pensar.
Faz o poeta, com que possamos acordar.









Nesta foto, deitei na grama, no campo, no exato instante em que a Gaya e o Tubianinho passavam. Ao fundo, coxilhas.