Com todo respeito a todos os compositores do mundo..
Eu sou ignorante quanto a carreira de Cartola, talvez por isso tenha me impressionado tanto com a letra que segue, da canção "No tom da mangueira".
"Não quero mais amar a ninguém
não fui feliz o destino não quis o meu primeiro amor
Semente do amor sei que sou desde nascença, mas sem ter vida e fulgor,
eis a minha sentença
tentei pela primeira vez esse sonho vibrar
foi beijo que nasceu e morreu sem se chegar a dar.
Em Mangueira
Quando morre
Um poeta
Todos choram
Vivo tranquilo em Mangueira porque
Sei que alguém há de chorar quando eu morrer
Mas o pranto em Mangueira
É tão diferente
É um pranto sem lenço
Que alegra a gente
Hei de ter um alguém pra chorar por mim
Através de um pandeiro ou de um tamborim
Em Mangueira
Quando morre
Um poeta
Todos choram
Todo tempo que eu viver
só me fascina você,
Mangueira
Guerriei na juventude, fiz por você o que pude,
Mangueira
Continuam nossas lutas, podam-se os galhos, colhem-se as frutas e outra vez se semeia
e no fim desse labor, surge outro compositor, com o mesmo sangue na veia.
Sonhava desde menino,
tinha um desejo feliz
de contar toda tua história
este sonho realizei
um dia a lira impunhei
e cantei toda tuas glória
perdoa-me a comparação, mas
fiz uma transfusão
eis que Jesus me premeia
surge outro compositor
jovem de grande valor com o mesmo sangue na veia
Todo tempo que eu viver
só me fascina você,
Mangueira
Guerriei na juventude, fiz por você o que pude,
Mangueira
Continuam nossas lutas, podam-se os galhos, colhem-se as frutas e outra vez se semeia
e no fim desse labor, surge outro compositor, com o mesmo sangue na veia".
Escritos, fotografias, cinema, sugestões, juízo crítico, livre expressão do pensar. Para apenas textos e algum ou outro que não conste aqui, acessar: http://recantodasletras.uol.com.br/autores/jeronimoterra
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Sem verdade Real
Poesia ritmada.
Endereçamentos e adereçamentos.
Invalidez (im)permanente.
Necessidade de permanência de liquidez.
Ausência de pontualidade.
Balcões.
Suor.
Choro.
Desentendimento.
Acusações.
Derrotas.
Recurso.
Recurso do Recurso.
Embargos do Recurso do Recurso.
Mais choro.
Indagações. Incertezas. Infinitos e repetitivos questionamentos com mesmos esclarecimentos.
Como é triste a vida daquele que vê no processo a esperança vã de alcançar o inatingível.
Como é lamentável a vida daquele que crê na Justiça como Instituição aplicadora da rigidez da lei.
Como é imperdoável viver sob os comandos dos ignorantes legisladores.
Como é impensável pertencer à massa.
E o mais árduo é reconhecer, relutante ao máximo, a impossibilidade de mover o sistema de forma "erga omnes", de forma que atinja a toda a sociedade, para fulcrar o seu bem estar, para justificar a sua operacionalidade e governabilidade.
Andam a passos separados demais a Justiça e o Direito.
Daquilo que parece belo indagar e aprofundar quanto a exegese da natureza jurídica e social do que é ou seja Justiça e do que é ou seja Direito, a verdade é que no campo da realidade tal distinção doutrinária fulmina por semear insegurança jurídica nas decisões, incertezas procedimentais, limbos e mais limbos processuais aguardando o melhor entendimento.
E enquanto isso, vidas deixam de ser lidas.
Porque não obstante seja função de cunho evidentemente estatal, o processo envolve a vida do cidadão.
É, portanto, também social.
E causa choro e causa desespero.
Ainda que tais premissas não estejam previstas em nenhum ordenamento jurídico, em nenhuma letra da lei.
Mas fazem parte da vida do cidadão. Que tem sua vida vinculada ao processo.
E enquanto o Foro e o Tribunal procedimentarem parte de sua vida, lá estará também o cidadão acompanhando e agonizando os tais ditames processuais de estilo.
Endereçamentos e adereçamentos.
Invalidez (im)permanente.
Necessidade de permanência de liquidez.
Ausência de pontualidade.
Balcões.
Suor.
Choro.
Desentendimento.
Acusações.
Derrotas.
Recurso.
Recurso do Recurso.
Embargos do Recurso do Recurso.
Mais choro.
Indagações. Incertezas. Infinitos e repetitivos questionamentos com mesmos esclarecimentos.
Como é triste a vida daquele que vê no processo a esperança vã de alcançar o inatingível.
Como é lamentável a vida daquele que crê na Justiça como Instituição aplicadora da rigidez da lei.
Como é imperdoável viver sob os comandos dos ignorantes legisladores.
Como é impensável pertencer à massa.
E o mais árduo é reconhecer, relutante ao máximo, a impossibilidade de mover o sistema de forma "erga omnes", de forma que atinja a toda a sociedade, para fulcrar o seu bem estar, para justificar a sua operacionalidade e governabilidade.
Andam a passos separados demais a Justiça e o Direito.
Daquilo que parece belo indagar e aprofundar quanto a exegese da natureza jurídica e social do que é ou seja Justiça e do que é ou seja Direito, a verdade é que no campo da realidade tal distinção doutrinária fulmina por semear insegurança jurídica nas decisões, incertezas procedimentais, limbos e mais limbos processuais aguardando o melhor entendimento.
E enquanto isso, vidas deixam de ser lidas.
Porque não obstante seja função de cunho evidentemente estatal, o processo envolve a vida do cidadão.
É, portanto, também social.
E causa choro e causa desespero.
Ainda que tais premissas não estejam previstas em nenhum ordenamento jurídico, em nenhuma letra da lei.
Mas fazem parte da vida do cidadão. Que tem sua vida vinculada ao processo.
E enquanto o Foro e o Tribunal procedimentarem parte de sua vida, lá estará também o cidadão acompanhando e agonizando os tais ditames processuais de estilo.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Da certeza da dúvida
O velho lobo não consegue acalmar o seu espírito.
O velho lobo range seus dentes involuntariamente.
O velho lobo não consegue mais ficar escondido sob a capa de cordeiro.
O velho lobo está uivando.
Está gritando.
E está perdido em um emaranhado de confusos sentidos e sentimentos.
O velho lobo está uivando em dúvida.
Esse sangue fervilhando sob a pele o está deixando louco.
O velho lobo: um carnívoro voraz mordiscando mato para saciar-se.
Totalmente em afronta a si mesmo.
Mais que tudo o desejo do velho lobo é se vir livre. É se vir liberto para correr. E morder. E voltar a ser o velho lobo.
Faminto e voraz.
Sozinho e confuso.
Manso e assassino.
Mas quer, sobretudo, deixar de estar eivado de dúvidas e ausente de respostas ou lugar para procurá-las.
A questão é muito mais profunda do que aparentemente as palavras puderam expressar.
Trata-se de dúvida elementar; de viver. De ser. De saber.
Um velho lobo não pode esquecer quem é.
O velho lobo não pode perder a voracidade no olhar. Nem olvidar do tremor que apregoa sua compleição física.
E do que realmente se trata?
Trata-se do uso de máscaras morais.
De fantasias sociais.
De pura representação.
De representação social para vossa sociedade.
Enquanto o lobo lá fora se prepara para me atacar - porque é o que tem de fazer - eu continuo aqui, ante a iminência suprema da morte. E estou assim, prestes a morrer e não sei o que fiz.
Não sei o que deveria ter feito. Ou o que eu deveria ter sido. Ou o que eu deveria ter dito.
O velho lobo range seus dentes involuntariamente.
O velho lobo não consegue mais ficar escondido sob a capa de cordeiro.
O velho lobo está uivando.
Está gritando.
E está perdido em um emaranhado de confusos sentidos e sentimentos.
O velho lobo está uivando em dúvida.
Esse sangue fervilhando sob a pele o está deixando louco.
O velho lobo: um carnívoro voraz mordiscando mato para saciar-se.
Totalmente em afronta a si mesmo.
Mais que tudo o desejo do velho lobo é se vir livre. É se vir liberto para correr. E morder. E voltar a ser o velho lobo.
Faminto e voraz.
Sozinho e confuso.
Manso e assassino.
Mas quer, sobretudo, deixar de estar eivado de dúvidas e ausente de respostas ou lugar para procurá-las.
A questão é muito mais profunda do que aparentemente as palavras puderam expressar.
Trata-se de dúvida elementar; de viver. De ser. De saber.
Um velho lobo não pode esquecer quem é.
O velho lobo não pode perder a voracidade no olhar. Nem olvidar do tremor que apregoa sua compleição física.
E do que realmente se trata?
Trata-se do uso de máscaras morais.
De fantasias sociais.
De pura representação.
De representação social para vossa sociedade.
Enquanto o lobo lá fora se prepara para me atacar - porque é o que tem de fazer - eu continuo aqui, ante a iminência suprema da morte. E estou assim, prestes a morrer e não sei o que fiz.
Não sei o que deveria ter feito. Ou o que eu deveria ter sido. Ou o que eu deveria ter dito.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Ensaio: Da cegueira subitânea e do Desejo
Apalpar no escuro;
nada achar.
Perambular pelos cômodos da velha casa intentando reconhecer algo;
nada constatar.
Procurar reconhecer pela audição;
ainda não aprendeu a usar o sentido.
Ouvir o silêncio.
Amar o tato.
Aprender a andar.
E só teu corpo eu quero conhecer de cor.
nada achar.
Perambular pelos cômodos da velha casa intentando reconhecer algo;
nada constatar.
Procurar reconhecer pela audição;
ainda não aprendeu a usar o sentido.
Ouvir o silêncio.
Amar o tato.
Aprender a andar.
E só teu corpo eu quero conhecer de cor.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Narrativa
Ouvi no rádio sobre uma peça teatral, ou espécie dela, um "stand up drama", uma história mais ou menos assim:
A personagem era uma mulher contanto sua vida. Vivia esquecendo as coisas. Desde criança. Perdia as bonecas. Os brinquedos.
Um dia, na sua infância, entre as meninas era moda usar na escola um casaco que acompanhava um pequeno chapéu a título de acessório.
E, febre que era tal casaco com chapéu, a menina insistiu para a mãe que lhe comprasse. A mãe, sempre relutante, insisita em não comprar porque a menina certamente perderia o chapéu. A menina insistiu, insistiu e insistiu até que a mãe finalmente lhe comprara o tal casaco.
No primeiro dia que usou o presente, na volta da escola, ao chegar em casa deu-se por falta do chapéu.
Imediatamente subiu para o quarto e guardou o casaco no armário.
Quando desceu as escadas, viu seu pai sentado na poltrona, e este lhe sorrindo ternamente disse:
- Querida, ponha o seu casaco novo e o chapéu para que eu veja como ficaste.
A menina foi ao quarto e voltou vestindo o casaco. O pai, em sorriso ingênuo, diz:
- Ponha também o chapéu querida.
A menina disse que o faria depois, porque o chapéu estaria guardado.
Nisso, o pai se levantou e caminhou em direção a menina, lhe desferindo um forte soco na cara.
A menina foi arremessada até a parede tamanha força do murro.
A mãe, ao ouvir o estrondo, correu até a filha, desesperada, perguntando aos gritos ao marido o que teria feito.
O pai, então puxou o chapéu do seu bolso e em olhar fixo para a menina falou:
- Isso é para tu aprenderes a não mentir e não mais perder tuas coisas.
Toda história se passa em primeira pessoa e a personagem termina a peça assim:
- O que meu pai me ensinou com aquela atitude naquele momento, enquanto eu sentia pela primeira vez o gosto do sangue na garganta, não foi eu deixar de perder as coisas, mas sim nunca mais confiar no doce sorriso dele.
A personagem era uma mulher contanto sua vida. Vivia esquecendo as coisas. Desde criança. Perdia as bonecas. Os brinquedos.
Um dia, na sua infância, entre as meninas era moda usar na escola um casaco que acompanhava um pequeno chapéu a título de acessório.
E, febre que era tal casaco com chapéu, a menina insistiu para a mãe que lhe comprasse. A mãe, sempre relutante, insisita em não comprar porque a menina certamente perderia o chapéu. A menina insistiu, insistiu e insistiu até que a mãe finalmente lhe comprara o tal casaco.
No primeiro dia que usou o presente, na volta da escola, ao chegar em casa deu-se por falta do chapéu.
Imediatamente subiu para o quarto e guardou o casaco no armário.
Quando desceu as escadas, viu seu pai sentado na poltrona, e este lhe sorrindo ternamente disse:
- Querida, ponha o seu casaco novo e o chapéu para que eu veja como ficaste.
A menina foi ao quarto e voltou vestindo o casaco. O pai, em sorriso ingênuo, diz:
- Ponha também o chapéu querida.
A menina disse que o faria depois, porque o chapéu estaria guardado.
Nisso, o pai se levantou e caminhou em direção a menina, lhe desferindo um forte soco na cara.
A menina foi arremessada até a parede tamanha força do murro.
A mãe, ao ouvir o estrondo, correu até a filha, desesperada, perguntando aos gritos ao marido o que teria feito.
O pai, então puxou o chapéu do seu bolso e em olhar fixo para a menina falou:
- Isso é para tu aprenderes a não mentir e não mais perder tuas coisas.
Toda história se passa em primeira pessoa e a personagem termina a peça assim:
- O que meu pai me ensinou com aquela atitude naquele momento, enquanto eu sentia pela primeira vez o gosto do sangue na garganta, não foi eu deixar de perder as coisas, mas sim nunca mais confiar no doce sorriso dele.
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