sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Do esquecimento

Completamente triste e solitário segue o cavaleiro cabisbaixo.
Em ritmo de derrota.
Sem esperanças.
Ausente de conquistas.
Tão triste quanto solitário.
Tão perdido quanto vencedor.
Esquecido em sua casa.
Intoxicado pela falta de palavras.
Deprimido pela falta de movimentos.
Caminha de lá pra cá.
Da sala para a cozinha.
Repousa nas paredes do quarto.
Enlouquece a cada segundo que lhe é tirado de vida.
E desperdiça seus talentos e seus sonhos e desejos...
Perdido num sofá no canto da sala.
Amargurando o mais impiedoso golpe da solidão.
Amargurando o amargo gosto da vida.
Sentindo o vento levando o tempo que não tornará a voltar.
Sentindo o tempo levando o vento.
Desprezando a vida que se demonstra antes os seus olhos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Do fim do dia

O entardecer, por intermédio do vento, trouxe no fim do dia de hoje coisas diferentes.

Flertando com a grama, no pátio, é possível observar que o dia está sem som. E com uma cor estranha.

Nuvens cinza sobrepõem-se a minha casa e minha rua.

E o silêncio e o cheiro das flores fazem emergir flagrante sensação de nostalgia.

E esse bucolismo ao meu redor, indissociado do traço que toca minhas atuais memórias, me engana e sutilmente, num pouco a pouco ininterrupto e veloz, altera a percepção.

E aqui já não parece mais ser o mesmo lugar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Dos dramas do homem atual

Trânsito. Transeuntes. Transito.
Rótula. Pare. Lentidão...
Pedestre. Pedrada. Pretensão.
Velocidade. Ignorância. Gritos. Tensão.
Transito. E transito em meio a loucura instaurada no caótico ambiente comum dos Homens.
Sob o ardor do estresse.
Ante a observação da fadiga.
Isento de momentos de reflexão.
Ausente de pensar.
O descansar à sombra pode vir a implicar em prisão por vadiagem.
Defendido por lei, o entendimento é de que é defeso relaxar.
E onde você está?
E no que você pensa?
Na fatura da fatura?
No juro sobre os juros?
Nas comissões e todas as formas de opressão que o Dinheiro impõe, pois amparado pelo Poder Federal?
No voto inútil?
No sistema eleitoral onde são eleitos os ditos representantes da plebe, através dos votos em branco? Eleitos por quociente de sigla? Que todos desconhecem?
E a socialização?
E as praças?
E a integração?
E o retorno do Estado?
E a minha porção de terra?
E o meu pacote de benefício fiscal?
Só beneficio o fiscal..
Enquanto isso, lá fora, segue o ritual:
Condução. Ônibus. Mais ônibus. Tração.
Aceleração. Capotagem. Apitos.
Desrespeito. Insensatez. Pobreza.
Vícios. Cios. Dia a dia. Construções.
Rotina. Mesmice. Impaciência.
Falta de ar.
Dor de cabeça.
Desmaios.
E sempre e sempre e sempre presentes... roubo, furto e prostituição.